Cabelos e história
A população negra sempre tive uma relação especial com os seus cabelos. Antes de os colonizadores chegaram ao continente africano o cabelo desempenhava um papel central em ricas culturas. O cabelo servia como uma ferramenta de comunicação e podia dizer muito sobre uma pessoa: status social, idade, religião, etnia, prosperidade. Muito se podia saber sobre um pessoa ao observar seu penteado, sua cabeça.
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Durante a escravidão, não havia tempo para os cuidados com os cabelos, pois todo o tempo era usado para trabalhar. Além disso, a(o)s escravizada(o)s eram oprimida(o)s, desqualificada(o)s para serem mantida(o)s sob controle. Para justificar o tratamento desumano, o cabelo foi um dos alvos escolhidos.
O(a) opressor(a) branco(a) apontava a pele negra e os cabelos crespos como feios e identificava as pessoas que possuíam essas características como inferiores à "raça" branca. Essa cultura da humilhação, da desumanização afetou parte da população negra escravizada, portanto não se deve estranhar que em algum momento essa população afetada começasse a acreditar e começasse a inventar estratégias para tornarem-se menos "preta".
Além de desenvolver técnicas para fazer o seu estilo de cabelo e cor da pele mais "leves", foram também utilizados outros métodos para manter a família "mais branca".
Aqui há que se pensar em quantos estupros aconteceram e nas estratégias para conviver e sobreviver a essa situação tão humilhante.
As crianças nascidas com a pele mais clara e com o cabelo menos enrolados, muitas vezes filhas do "senhorio", eram levadas para casa, onde elas faziam o trabalho doméstico. Como essas crianças na casa estavam trabalhando perto dos convidados, era importante que elas parecessem bem cuidadas. Portanto, na casa os escravizados eram muitas vezes tratados melhor do que os que trabalhavam na terra. Às vezes até mesmo a sua liberdade ficava garantida na morte de seu dono.
| Redenção de Can (1895), do pintor espanhol Modesto Brocos y Gómez (1852-1936) |
Podemos concluir e inferir a partir disso que:
1 - A escravidão provocou a perda de muitos conhecimentos sobre como cuidar de cabelos crespos.
2. Durante a escravidão, penteados crespos foram vistos como ofensivos ou perda de tempo. Os escravizados tinham que cobrir seus cabelos. Surgiu assim a vergonha e a obrigatoriedade de usar um lenço ou algum adereço.
3. Os cabelos crespos ou cabelos lisos foram durante o tempo da escravidão (para os não brancos e nao pretos) muitas vezes uma questão de liberdade ou a escravidão. Se próximo ao europeu na aparência, era mais provável o reconhecimento e tratamento como homem ou muher livre ou como uma potencial humanidade.
4. Mesmo após a escravidão e ainda é verdade: o cabelo ainda interfere nas oportunidades para o sucesso social. E essa situação vivi hoje, não uma ligação direta com a escravidão, pois muitas vezes resulta da ignorância os cabelo e as opções estéticas.
Referência: http://www.beautifulblackhair.nl/black-hair-historie-slavernij/ - acessado em 20/12/2014


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